quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Libertinagem

Eu tinha acabado de sair da minha prova de francês. Estava no terminal esperando meu onibus. Garoava, pra variar (não sei o que deus inventou dessa vez pra chover em agosto, setembro, e outubro, só falta não chover no meu aniversário... sempre chove quando eu quero fazer festinha) O plano era pegar o Cidade Universitária e passar a tarde pesquisando as mil coisas que tenho que pesquisar, lendo as mil coisas que tenho que ler, ou escrevendo as mil coisas que tenho que escrever. Daí eu lembrei que tem um cachorro morto, em decomposição, no caminhozinho da faculdade até em casa, o qual, estava alagado. Perdi toda a vontade de ir pra faculdade, então esperei o Cavallari por mais 15 minutos. Imaginando que a única coisa que teria para fazer em casa seria assistir o final alternativo de Casanova e a Revolução, ou ler Hannah Arendt, passei no Nativo e comprei um vinho Natal, bem seco, e um chocolate Talento Intense, bem amargo e me preparei para me entregar a leitura do tal 'Vida de Gato'. Coloquei vinho e gelo na minha caneca do Jack, coloquei um caderno em cima da cama (pra apoiar a caneca e ser manchado, no lugar do meu lençol de bolinhas). Tirei meu tênis molhado, minha meia molhada e minha calça molhada (tava uma chuva do caralho a hora que saí de casa). Sequei meu pé. Entrei embaixo do cobertor. Deixei uma caneta e a notinha fiscal da recente compra do meu lado, caso quisesse fazer alguma anotação. Li a contra-capa. Li as orelhas. Li os dois primeiros capítulos. Já tinha terminado o espaço para anotações na notinha. E já estava dizendo 'putaqueopariu' será que é isso que vai acontecer da minha farra, chamada vida?
(Droga, a primeira caneca acabou)

Na verdade, ontem dormi e hoje acordei pensando em uma só palavra. Libertinagem. Será que é essa a palavra-chave? Libertinagem pra mim significa porra-loca. Ok, eu não sou das pessoas mais certinhas. Eu não dobro minhas roupas, aliás, eu não passo as minhas roupas. Eu não arrumo a minha cama. Eu não organizo meus livros por tamanho. Eu não me importo em tomar banho todos os dias. Eu uso as mesmas camisetas por dias, e o mesmo sutiã por semanas. Eu bebo. Já dei umas tragadas em alguns cigarros por aí. E daí? Mãe, juro que não sou porra-loca. Minha vida, minha existência, sei lá do que chamar isso, não é só libertinagem. Limites? Eu nunca impus limites, nem a mim mesma, nem a ninguém. Não me sinto nesse direito. Pedro, lembra quando a gente estava bebendo na praça e eu disse que não obrigaria meus filhos a serem vegetarianos, só porque eu considero errado matar animais? É mais ou menos isso...Mãe, juro que você me passou uma bela noção de certo e errado, e que se eu faço tudo que faço (assim parece que eu faço um monte de coisas, que eu me pico, de certo...) Enfim, eu não considero errado. E não dou a ninguém o direito de ficar bravo comigo por causa disso.

Eu não tenho limites, mas eu tenho noção. Até abrir a garrafa de vinho eu estava considerando se não seria esse meu limite. Se não seria a hora de permitir que alguém me dissesse o que fazer e o que não fazer. Se eu não precisava disso. Mas não. Citando a tal Clarah: "Eu grito. Grito para dentro e para fora. Me atiro de cabeça em aguás turbulentas, escalo montanhas, nado nos canais mais perigosos. Preciso estar no limite."

Eu não preciso de limite. Preciso estar no limite. E aqui é o limite.
E agora, dou um passo pra trás? Dou um passo pra frente? Ou fico aqui parada?

"desculpe, amigo fígado, você é muito simpático, mas hoje não vai dar"
"Quero gritar, gritar por todos os poros, pedir ajuda pra te chacoalhar, pra te acordar dessa vida morta que você escolhe todos os dias."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mais uma dose? É claro que eu to afim. A noite nunca tem fim.
Porque é que a gente é assim?

Vê se ao menos me engole, mas não me mastigue assim.
Cazuza

domingo, 4 de outubro de 2009

Ventura

04:04
ah, bom (vírgula) (ponto) - diz iris pensando remedar o pedro
iris, isso não faz o menor sentido - diz pedro tentando contradizer iris
ah, deixa pra lá - diz iris estacionando na frente da casa dele

Ah, deixa pra lá. - diz iris sobre todos fatos incriveis (ou não) que enumerou nos últimos dias esperando em alguma hora esperando escrever no blogue.

Não faz o menor sentido dizer que eu e pedro roberto nos aventuramos por longuínquas terras, ou dizer como me fez bem ter me encontrado com algo que um dia supus ser meu destino, supondo que o que vivo hoje é meu destino e que estou muito melhor assim (afinal, tia hippie disse que a escolha certa é a escolha que eu fiz)

Não faz o menor sentido o que o hippie (hippie mesmo) me disse no onibus, ou deixou de dizer

Não faz o menor sentido o VMB ou a coxa da pitty.

e sabe por que? porque hoje meus olhos se fecham de cansaço enquanto penso no tanto de coisas a fazer, no tanto de coisas erradas que fiz, e se o que fiz foi errado.

obs: um dia eu talvez escreva sobre as considerações anteriores, elas fizeram diferença, foram importantes pra mim, quero dizer
obs2: pedro roberto, ontem comprei o resto dos cds do los hermanos, agora eu to ouvindo o ventura, mais ou menos no mesmo estado em que você ouviu o bloco.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Contatos Superficiais

Duas pessoas que não querem saber uma da outra
_Oi, tudo bem? (diz com o fone de ouvido)
_Tudo bem o caralho.
_Comigo também, obrigado.

Uma pessoa querendo puxar papo e uma pessoa de papo cheio
_Olá Cidadão
_Oi, [insira aqui um nome qualquer]
_Como anda a vida?
_Ah, bem. E você, tá bem?
_To, eu tava indo ...
_Então tá tchau


Duas pessoas demonstrando atração
_Oi, [insira aqui um nome dito numa tentativa de ser sensual]
_Ah, oi (diz a pessoa que foi chamada olhando para trás com um sorriso de 'estou te dando mole')


Uma pessoa que não sabe fazer perguntas e uma pessoa com boas respostas
_Oi, posso te mostrar um panfleto?
_Ah, claro
_Você vai à Igreja?
(segue-se um diálogo duradouro)


A Isadora e qualquer outra pessoa
_E ae, casa cheia?
_Hum?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Não estará você exagerando? Na verdade, o que ocorre é que neste período você tende a transmitir uma raiva maior do que na verdade está sentindo, por isso convém se observar. Nem sempre passamos o que queremos." Me responde meu trânsito astrológico.

Não sei se é uma explicação razoável, mas é uma explicação.

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu me rendo

Sexta feira a tarde eu estava assistindo Jackers. Era um episódio que o Pigley monta uma banda de rock, bem engraçadinho. Ele explicava aos amiguinhos que aquele era um novo estilo de música e que ninguém conseguia ficar parado quando ouvia.
Sexta feira a noite eu estava no bartificial, não conseguindo ficar parada. Um senhor, daqueles que andam com um saco de latinha nas costas passava pela frente e também não conseguia ficar parado. Ele tentou subir a escadinha da entrada dançando e não conseguiu. Acho que ele também não estava lá muito sóbrio.
Sexta feira de madrugada, eu já não muito sóbria também, voltava pra casa querendo mais do que tudo ficar parada. Sentada numa sarjeta suja questionava ao mundo por que a vida acontece do jeito que acontece. Por que as coisas não podem ser do jeito que a gente quer. E o principal, por que aconteça o que acontecer, faça o que fizer, a gente nunca deixa de lamentar pelas coisas que deram errado.
Eu peguei uma folhinha na rua, pra me lembrar que não adianta lamentar. Que não adianta beber querendo esquecer, por que eu só vou esquecer de outras coisas (minha memória anda um caco). Coloquei nessa folhinha meio que uma promessa, não digo promessa pq promessa é drástico demais. Seria uma intenção.

A intenção é: eu me rendo, eu vou ao neurologista.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ontem sonhei que minha cama era invadida por formigas.
Foi daqueles sonhos bem vívidos em que você percebe o que está acontecendo e não consegue se mexer.

Tá tudo tão estranho.
Eu deito pra ver as nuvens se mexendo.
Eu ando pela faculdade pensando na efemeridade da vida.
Pensando em tomar decisões sem saber se há algo a ser decidido.

Eu ando irritada, na verdade.

Sabe, eu sei que nem toda pessoa é boa, mas eu acostumei a achar que todas tentam, ou pelo menos fingem ser.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cíclico

Há exatamente um ano atrás estava esse mesmo calor do inferno. Inferno.
Eu sempre odiei dormir com a janela aberta, nessa época eu dormia.
Eu sempre evitei bebedeira, nessa época eu me perdi.
Poxa, nessa época aconteceu tanta coisa.
Vai fazer um ano que eu coloquei minha pulserinha.
Vai fazer um ano que eu não bebo coca.

E agora? Esse mesmo calor do inferno, combinado com esse monte de coisa que eu não sei como lidar e com as bebedeiras.
A diferença é que ano passado era começo de semestre. Agora é fim.