sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Incenso, Melão e Poesia

Acendi um incenso de almíscar.
Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Só a casca melequenta na minha mão.
E a fumaça do incenso de almíscar.
E a vida esperando. Me esperando.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nulo, um caminho Nulo.

Marco zero. Linha reta. Neutralidade. Nulidade.
Terra firme. Uma ilha de terra firme. Vazia.
Quero pular. Mas não sei se devo.
Mares podem ser tormentosos, mas pelo menos não é essa calmaria.
Posso ficar aqui, esperando um maremoto.
Posso sair daqui, aproveitar a água limpa, ou suja.

Quero, não sei,
Posso, o que eu quiser.
Se quero, não sei.

Por mais que alguém posso me dizer que sou egoísta, neurótica depressiva, vingativa, possessiva e tempestiva, só eu posso escolher 'should i stay ou should i go'.
Merda.

ps: passional e orgulhosa também

sábado, 24 de julho de 2010

Sociedade

s.f. Reunião de homens, de animais, que vivem em grupos organizados; corpo social / Conjunto de membros de uma coletividade, sujeitos às mesmas leis./ União de pessoas que acatam um estatuto ou regulamento comum: sociedade cultural./ Grêmio, associação./ Parceria.
loc. adv. Em sociedadde, juntamente, em comum, em companhia, de parceria.
Fonte: algum dicionário furreba que só existe em versão virtual

Relações de troca. Dar para receber. Amar para ser amado. Chutar para ser chutado. E acima de tudo: respeitar para ser respeitado.

A família é a primeira sociedade. Então não me venha gritando, chutando, berrando, descontando seus assuntos mal resolvidos em nós. Porque ninguém é obrigado a ser tratado desse jeito. Já te disse antes. Tem problemas? A gente ajuda a resolver. Não crie mais problemas. Bobinha.
Entendeu?
Mereça o que te oferecem.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Bambi

aos desavisados que podem achar que o título é uma referência metafórica a qualquer outra coisa, desde torcedores do São Paulo até homossexuais do sexo masculino, o título refere-se ao filme da disney mesmo.


Há um tempo começamos a acostumar meu irmão a assistir filmes. Começamos com desenhos daqueles de 15 minutos, e a certo ponto, em meados desse semestre ele estava assistindo Bambi. Eu nunca gostei de Bambi, porque Bambi é o filme mais triste que a disney já produziu em todos os tempos. Acontecem várias desgraças, tragédias e um monte de coisa boba e injustificada. Lógico que quando eu era criança essas não eram minhas razões para não gostar, eu não gostava porque tinha um certo bloqueio a animais falantes.

Estava agora a pouco assistindo pela (no mínimo) milésima vez o tal desenho. Meu irmão adora. Pede pra ver todos os dias. Quando sugerimos outro ele abre o berreiro. Quando queremos assistir outra coisa ele abre o berreiro. Ele fala que é o Bambi. Ele imita o Bambi pulando. Meio doentio até. (deve ter puxado da minha irmã essa obsessividade exagerada)

Ele já decorou o desenho e faz comentários durante o filme.
Um dia ele me perguntou se eu sabia o que tinha acontecido com a mãe do Bambi. Eu queria saber o que ele achava que tinha acontecido. Ele me respondeu que os caçadores a haviam matado, levado para casa, fritado e comido.

Ele também já perguntou:
Por que o Bambi e o outro veado macho brigam e ninguém contou que é por causa da fêmea.
Por que o Flor ficou vermelho quando a outra gambá o beijou e a resposta foi 'ele ficou com vergonha'
Se quando os cachorros o morderam, ele se machucou e a resposta foi 'não não, só um pouquinho'

E também já exclamou 'FOGO' para o qual recebeu uma longa explicação de que era só um pouquinho, que não aconteceu nada de mais, que todos animais conseguiram se salvar e que depois ficou tudo bem.

Que eu saiba nada do que acontece em Bambi é o tipo de coisa que se coloque numa historinha infantil. Mas já que fizeram esse filme horrível, trágico, mentiroso (porque o Tambor é mais velho que o Bambi e fica adulto ao mesmo tempo), boboca, vagaroso e feio; e já que decidiram mostrar pro meu irmão; que pelo menos contem a verdade.

Coisa ridícula.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

In/Out

aquelas pessoas que devem ser legais mas não conseguem ser legais porque se acham a última bolacha do pacote, quando na verdade são a última bolacha que você come enquanto resmunga 'não aguento mais comer bolacha' com um gosto insuportável de doce artificial na boca.


'cause i'm so sick. so sick of it all.

domingo, 11 de julho de 2010

Cansei de Convivência Pacífica

Eu quero confrontos.
Ataques.
Trombadas.
Tapas na cara.
Socos no estômago.
Ofensas desmedidas.

Eu quero que segurem meu braço.
Que me chamem de idiota, no mínimo.
Que me peçam pra parar.
Que me obriguem a me controlar.

E por fim quero gritar que não tenho auto-controle.
Que cansei de me controlar.
Que não gosto de não beber.
Que não gosto de não ter insônia.
Que não gosto de não ouvir música alta.
Que odeio essas caixas de som estouradas.

Sinto falta de não dormir.
Sinto falta de escrever nas paredes.
Sinto falta de escrever algo bonito.

Quero explodir as últimas [número não exato] postagens.
Quero explodir.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ufa

Tirei férias. Eu não tenho nada atrasado pra entregar. Considero meu semestre fechado.
(com exceção daquela maldita prova, daquele maldito professor que se mandou pros estrangeiro quando eu estava doente)

Não estou acostumada com isso. Tenho sempre assuntos mal resolvidos. Então resolvi pegar aquela lista de muito tempo atrás e resolver as coisas que não fiz. Marcar de comer brigadeiro com a menina que fazia dança do ventre comigo e emprestou uma saia e nunca devolveu. Ligar pro meu professor de inglês que me ensinou a furtar saleiros de bares. Arrumar minhas gavetas. Levar minhas apostilas do cursinho pra doação. Consertar a tela do meu computador.

Não tive vontade de fazer nada disso. Não tive vontade nem de ligar pros amigos que me fazem falta. Pelo menos uma vez por semana falo que estou com saudade, e quando tenho uma semana livre, simplesmente não tenho vontade de pegar no telefone, ou mesmo aparecer online no msn.

Por fim, sem ter mais o que fazer, além de assistir os jogos da copa, cochilar no sofá da minha vó e acordar quando meu irmão chega da escolinha, eu liguei pro moço que conserta computador. A noite, naquela hora que geralmente aparece alguma coisa que eu sinto vontade de escrever, em que eu geralmente digito blogger.com na barra de endereços, clico em 'nova postagem' e depois de uns 2 minutos fecho a página. Naquela hora, eu não tinha meu computador pra escrever. Eu peguei um bloquinho que usava pra escrever no meu ano de cursinho, e acabei com ele.

Agora sim. Não tenho mais nada pra fazer.

[pausa de lamento pelas pessoas que leram essa bobagem até aqui, só pra saber que tirei um peso dos meus ombros. e que 'é meu e é só meu'.]
obs: Majú, essa observação final é dedicada à você, que só gosta das minhas observações finais.

domingo, 27 de junho de 2010

Esclarecimentos a Conversas de Bar

Ia eu dizendo ao professordefilosofiadaminhairmãquenamoraumadasminhasamigasdeinfância que deixei de acreditar na bondade humana. Ele me afirmou que maldade é quando há premeditação. Se a pessoa disse o que disse por inocência, foi por inocência.
No momento, eu, preocupada que mais uma vez se desse início a uma guerrinha de palitos de dente, não pude lhe responder que acredito justamente no contrário.
Se existe premeditação podem se acrescentar várias influências e reflexões não individuais que poderiam levar a um indivíduo dizer ou fazer coisas que não correspondem necessariamente a sua concepção de moral. O que me leva a acreditar que a pessoa, em si, não é maldosa, apenas deixou que a raiva/incompreensão/maus costumes a levassem a uma ação reprovável.
Mas quando uma pessoa faz uma reflexão ingênua e maldosa como a que citei e verbaliza numa conversa comigo, eu passo a acreditar que ela é maldosa e ponto. Que o mais profundo de seu âmago interno, suas crenças e seus pensamentos subconscientes são maldosos. E pra mim, isso o torna uma pessoa ruim e PONTO. E isso me faz deixar de acreditar que a humanidade seja boa. Simples assim.

Esclarecimentos às pessoas que não estavam no bar: Eu citei uma conversa com um colega de classe que soltou a pérola: "Meu, se a pessoa não tem condição de fazer faculdade, por que é que insiste?" sobre as pessoas que moram na moradia, pessoas que recebem bolsa BAAE e tetraplégicos.

PS: gostaria de agradecer aos companheiros daquela noite por não terem iniciado uma guerrinha de palito de dente, ou saquinhos de sal, ou conteúdo dos copos, como é tão frequente após a quarta garrafa.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Coceira

Eu liguei o computador pra escrever sobre a coceira. Coceira, essa filha da puta que me atordoa minuto a minuto, dia após dia. Ia dizer que a coceira é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano, e acredito mesmo que seja. Porque o princípio básico da coceira é que ela não vai parar de coçar quando você coçar, muito pelo contrário, a coceira piorará até que você arranque sua pele ou esteja prestes à e grite 'ahhhh, caralho' como eu fiz tantas vezes nos últimos dias.
Daí notei que seria muito simplista da minha parte colocar todas aflições que num pote entitulado coceira. Apesar da coceira incomodar existem mais coisas que incomodam. E o incomodo talvez venha do mesmo pote que a coceira veio, ou não, mas nesse caso eu prefiro simplificar e falar que as causas de todos meus males é a dengue. A dengue e só a dengue. Não meu comportamento auto-sabotador, não o nervosismo, não o afeto.

A dengue chegou de surpresa. Eu estava tão fraquinha no meio dos meus problemas, crises e bagunças que por muito tempo insisti que todos sintomas não tinham uma causa física, que eram só mais sintomas da crise que persistia em todos setores possíveis da minha vida.
A quinta feira fora tão cheia de desastres, desastres extremistas, do tipo chorar-em-público-desastre. E eu fui dormir tão absorta em problemas. Pensando por onde começar a arrumar a bagunça generalizada que se instaurou em mim, em casa, em tudo. Sem forças, decidi que o primeiro passo para uma retomada seria uma boa noite de sono, sem despertador pra tocar no dia seguinte.
E eu acordei tão mal. Se é pra acordar mal não sei nem pra que acordar. Que coisa boba, acordar como se nem tivesse dormido. E assim me repito desde a última sexta feira. Na esperança das crises terem se resolvido na minha ausência.

(nenhuma crise vai ter se resolvido quando eu voltar, pelo simples motivo de que as coisas não são fáceis. e seria tão fácil sumir na semana de provas, abandonar os amigos quando eles tem problemas, emprestar cachecóis e não devolver, ou que todas pessoas que eu não gosto desaparecem da terra, ou que as pessoas que eu simplesmente não quero encontrar desaparecessem junto)

a verdade é que eu to perturbada, de novo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu estou para o mundo, assim como o mundo está para mim.

Não sei se faz sentido, também não quero divagar procurando um sentido. Mas se veio à minha cabeça, deve fazer algum sentido. Ou não.