sábado, 4 de junho de 2011

Fico indignada...

Eu tinha um colega na época de escola que começava todas as redações com "Fico indignado...". Eu achava super divertido a indignação dele com a matança de focas, com o descaso com o aquecimento global, com a Carla Bruni ir na festa sem calcinha, com qualquer outra coisa que estivesse bem distante e para a qual a indignação dele não fosse fazer a menor diferença.
Eu fico indignada com um monte de coisa também. Tanta coisa errada acontecendo e eu tenho tão pouco pra fazer. O que eu posso, eu faço. O que eu não posso, eu tento. Se não tento, xingo no tuíter. Mas o que eu fico mesmo mesmo mesmo indignada é quando é alguém que eu conheço fazendo uma coisa escrota. Dá vontade de ir pessoalmente tocar a campainha da casa da pessoa e puxar a orelha, literalmente. Ou ligar na casa e falar "que papelão, meu filho, que papelão". 
Tem gente que é muito natural que faça besteira. Você não pode mesmo esperar atitudes corretas de certas pessoas. Você não pode esperar que o Bush faça a coisa certa, ou que qualquer pessoa da família do menino que te xinga no emiesseeni faça algo aprovável. Mas tem gente que você nunca espera e faz umas atrocidades. Sabe, gente que frequenta sua casa, gente que vai no seu aniversário, gente que assiste futebol com você, desse tipo de gente você espera que seja decente. Mas não é. É quase que coração partido. 
Malditas desilusões político-pessoais tão constantes.

Enfim, ajudem aí a consertar cagada:

terça-feira, 24 de maio de 2011

Boletim Informativo #02 - Calça Roxa

Desde meados de 2007 quando ganhei uma calça roxa venho me esforçado ao máximo para manter-me operando dentro de seus modos. Hoje, 24 de maio de 2011 eu declaro minha busca sem fim por me adequar a seus preceitos terminada.
Minha cara calça querida, se quando eu ganho um quilo você espreme minhas gorduras para fora e se eu perco um quilo sou obrigada e puxar os passadores de cinto de 2 em 2 minutos para evitar sua queda; e se nos últimos 4 anos fomos incapazes de nos entender e chegar a um acordo quando a um tamanho bom para que meu corpo se encaixe em você, sinto muito informar, mas o problema não é meu. Fique você aí com seus padrões estéticos milimetricamente calculado que eu fico aqui com minhas bainhas que só saltam para fora com você.
Um beijo grande.
Iris

sábado, 21 de maio de 2011

Esqueci de renovar os livros na biblioteca de novo. Terceira semana que tenho que implorar pra algum/a bibliotecário/a pra renovar, com aquele choro de moço/a, tô no quarto ano, tenho que escrever meu tcc [cara de dó].
Como pode passar o dia inteiro no computador e esquecer de renovar os livros, Iris. Como pode acordar pensando nisso e só voltar a pensar depois das 10 da noite, quando já é tarde demais. Malditos esquecimentos malditos.
Parece que tudo na minha vida passou do prazo e eu estou velha e carcomida com os ouvidos zumbindo por ouvir música alta e as pernas doendo porque não são mais as mesmas que andavam comigo.
E não é velha não quero sair de casa no frio, é velha arrebentar os músculos que não sabem mais fazer o que eu sempre fiz. Meu corpo me engana, minha mente me engana. E eu fico toda enganadinha lembrando tarde demais que preciso muito, muito fazer algo. Preciso muito desses livros renovados. Preciso dessas contas pagas. Preciso dessas tarefas feitas. Preciso de louça limpa. Preciso de coragem pra ligar pra você e pedir que faça eu me apaixonar de novo. Porque só quando estou apaixonada por você não faço essas besteiras. É só pensar em você pensando em mim que não me deixa beber a garrafa inteira, fazer pole dance nos postes e me pegar com a pessoa mais inimaginável que encontrar. Afinal, bateu o coração...
Você me faz esse favor querido? Fica aí longe como tem que estar pensando em mim? Evitando que eu faça besteira? Em troca eu fico aqui, bem longe de você, não fazendo besteira e te contando dos meus sonhos?
Será que basta? Toda essa distância e nossos sonhos?
É claro que não basta. Nada disso é real. Aliás, a distância é, é muito mais real do que qualquer sonho ou vontade que possamos ter.
Então fique aí, com seus 300km de distância que eu fico aqui, com meus livros vencidos. Beijo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

TÃO 2003

Geit, olha que 2003. Estava eu lendo blogs de 2003 quando me deparo com esse teste. Que é a coisa mais 2003 do mundo. E olha o resultado! Ela é de longe minha prostituta cinematográfica preferida do mundo inteiro.
Rá. Mas só de estar postando isso já me sinto mais em 2003 do que se estivesse usando colar de pentagrama ou lendo Harry Potter ou passando 30 minutos no telefone com cada uma das minhas amigas (as quais obviamente não converso mais). Ai que adolescente.








Qual prostituta cinematográfica você é?

domingo, 1 de maio de 2011

Boletim Informativo #01 - Parem de fornicar

O conselho administrativo do weblog irisiriseiris vem por meio deste encarecidamente requisitar que as senhoras e senhores parem de fornicar por aí.
As senhoras e senhores devem ter em mente que há mais pessoas que gostariam de fornicá-los do que pensam. As pessoas que gostariam de fornicá-lo choram quando descobrem que a senhora ou o senhor está fornicando com outra pessoa. E esta outra pessoa por sua vez também pode ser alvo do desejo de fornicação de quartos, que também chorarão no cantinho.
O problema de tudo isso é que se gera uma rede de fornicadores, não-fornicadores, desejados e desejantes muito difícil de acompanhar e administrar, o que obviamente levará ao indiscutível fato de que sempre haverá alguém chorando no seu, no meu, no nosso ombro. Jesus chora. 
Então se acertem aí, parem de fornicar qualquer um, parem de chorar no meu ombro. 
E a todos envolvidos na história me façam o favor de desligar celular e computador e passar uma semana ajoelhados no milho atrás da porta pensando no que fizeram.
Finalizaremos com a citação célebre de um ser-não-humano: "Não há nada de bom que o sexo possa trazer".

Grata
equipe irisiriseiris 

ps: pode chorar no meu ombro sim. 
ps2: parem de achar que "vai se foder" é argumento. quando essas palavras são ditas não se torna exatamente claro o motivo da frustração, o que pode e irá gerar mais uma rede: a dos fodidos.

sábado, 30 de abril de 2011

parem de reclamar das minhas reclamações

"Todo mundo sempre me diz que eu reclamo demais. Olha, não tenho culpa que a minha vida é tão surreal. Minha vida é um filme ruim para adolescentes. Um Super-8 de universitários alternativos. Uma piada daquelas que a gente faz um "hah" no final. É foda." - Clarah Averbuck. (é claraH pq naquela época ela ainda tinha H)



Gente, que cês querem? Que eu saia postando como minha vida é cor-de-rosa e como todos me amam e como eu amo todos? Desculpa, não é assim que funciona. Como já chegamos ao consenso em conversas anteriores por aqui acontecem coisas que se contar duvidam. Então eu não conto, só grito "aaahhhhh" e saio correndo, balançando os braços pros céus e tuitando ironias que terminem com (y).


Então parem de reclamar, de me chamar no cantinho e falar "vc tá exagerando, hein" (no melhor estilo tia gilberti sobre cecê). Cês acham que eu ligo? só vou reclamar mais. 


Ponto final.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

LEVA EMBORA

Se todo nó na garganta, toda erupção cutânea e todo coração partido merece um post, toma aí então, o seu post de merda. Guarda na gaveta, junto com minha vida. Ou então amassa e joga na sarjeta, junto com minha vida. É seu pra fazer o que quiser, junto com minha vida. E eu que cansei de tudo isso só te entrego na mão e advirto: cuida bem, que eu gosto muito.
E se estiver se perguntando se eu tenho o direito de estar aqui chorando no meio da madrugada, tenho sim. Eu faço o que eu quero e você tem tudo a ver com isso. Se me fazem jurar que eu vou ser feliz e depois pedem pra outra pessoa jurar que vai cuidar de mim, não deixar eu me aproximar de você, a culpa é sua sim. Engole. Leva embora porque eu não quero mais carregar. Toda essa mágoa sem fim, não é mais minha, é toda sua. Tira de perto de mim, junto com você.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Le mort

Eram 11 horas da noite de sexta-feira. Já tinha tido uma overdose de anti-alérgico. Já tinha reclamado da minha inabilidade de concentração e impossibilidade de ficar sentadinha enquanto o professor falava, mesmo que fossem coisas que me interessassem. Já tinha me entupido de comida não saudável. E agora anunciava minha urgente necessidade de esvaziar a bexiga urinária, que já reclamava seu entupimento também. Atravessava a rodovia em direção a mesma casa que muitas vezes me dirigira antes. Muitas pessoas vestindo batas feias e caras que lhes permitia chegar até determinado lugar, variando a cor da vestimenta até onde poderiam chegar de acordo com o tanto que a mesma lhes custara. E ali, naquele canteiro que divide a rodovia na direção de quem vai pra lá e na direção de quem vem pra cá, estava deitado, imóvel, inerte e urinado um homem. Botas, calça jeans amarrotada, suja e carcomida, camisa de propaganda de deputado, ou de supermercado, não sei (como se houvesse diferença). As pessoas passavam, de lá pra cá, pra lá e de cá como se nada notassem de diferente.

Como diabos o homem fora parar ali não se fazia ideia. Se estava vivo ou morto não se fazia ideia. A bexiga apertava e não se fazia ideia até quando aguentaria. Então fui cuidar das minhas urgências enquanto me perguntava como diabos o homem fora parar ali e sua condição de ser vivo ou de ex-ser vivo. Não é o tipo de coisa que se deixa de pensar rápido. Pelo menos pra mim. Não sei quanto as outras pessoas que naquele momento começavam a ver a dupla sertaneja com seus microfone falando coisas que não me fazem sentido no palco.

Voltei a beira da rodovia. Liguei pra polícia. "Emergência da polícia militar. Como posso ajudá-lo?" "Oi. Eu estou aqui em tal lugar e tem um homem deitado no canteiro do meio da rodovia, não sei se morto ou vivo." "A senhora consegue visualizar o cidadão?" "Consigo, mas não vejo se respira ou não." "A senhora poderia rtocar nele para ver se reage ao toque?" "Nem a pau. Tenho medo." "Óquei. Encaminharei uma viatura para o local. Se o cidadão se levantar, saia de perto e ligue novamente."
Oi? A senhora não entendeu que ele está no meio da rodovia? Se ele levanta ele morre! Isso se já não estiver morto.

Passaram 40 minutos. Nenhuma viatura apareceu. Eu de pé na beira da rodovia.
Liguei novamente. Dessa vez fui posta na espera. Tocava aquela valsa de caixinha de música, do tema de Love Story, mas parecia o fundo sonoro de Pac-Man. "Emergência da polícia militar. Como posso ajudá-lo?" "Oi. Eu liguei há meia hora porque tem um homem deitado no canteiro do meio da rodovia, não sei se morto ou vivo. Vocês falaram que mandariam uma viatura mas ainda não apareceu ninguém." "A senhora já tentou ligar para o Resgate no 193?" "Não" "A senhora poderia tentar?" "Oquei."
Oi? O senhor não entendeu que a responsabilidade está nas suas mãos?

Liguei pro 193. "Resgate. Como posso ajudá-lo?" "Oi. Eu liguei pra polícia porque tem um homem deitado no meio da rodovia eles pediram pra ligar aí. Eu estou em tal lugar. Faz mais de meia hora e ele ainda não se mexeu. Não sei se está respirando. Tem como vocês mandarem alguém?" "A senhora poderia tocar nele pra ver se reage ao toque?" "Não, eu não vou relar em ninguém que acho que está morto no meio da rodovia." "Senhora, no momento todas as ambulâncias estão ocupadas. Vou pedir o suporte do SAMU, deve estar aí dentro de alguns instantes."
Oi?

Depois de 10 minutos chega um policial rodoviário. Fala que estava atendendo um acidente na estrada para Oriente, mas que mandara o carro do guincho vir procurar a ocorrência. O carro de guincho que no caso passara duas vezes por nós mandando beijinho e chamando "Gostosa". O policial achou muito engraçado. Eu não achei graça nenhuma. Seu guarda, apelido carinhoso, apontou sua lanterna para o que chamava carinhosamente de cidadão e afirmou "É um bêbado, tá em coma alcóolico. Se aproximou. Apontou a lanterna muito muito potente na cara do homem. Gritou. Deu um cutucãozinho com o pé. Apontou a lanterna muito muito potente no tórax e nos informou. "Viu, tá respirando. É um bêbado mesmo." Entrou na viatura, pegou seu radinho e chamou a central pedindo por uma ambulância. Informado de que não tinha nenhuma disponível, gracejou "E caminhão de lixo, tem?" Ele achou muito engraçado. Eu não achei graça nenhuma. Perguntei se podia ir embora. Tinha receio de ter de prestar depoimento. Ele respondeu que claro, podia sim.

Fui embora quando o SAMU chegou. Ainda não sei como o homem bêbado conseguiu chegar ao meio da pista para entrar em coma alcóolico no canteiro. Ele no mínimo teve que atravessar um sentido de rodovia nesse estado e no mínimo pretendia atravessar mais três. Alguém me explica?

Tomei um sandei de caramelo da promoção mc donalds e fui fingir que nada tinha acontecido. Fui brincar de noite mariliense da depressão.

quinta-feira, 31 de março de 2011

monoassunto

(ou sobre a pessoa chata que tenho sido por isso ser mais chato que eu)

Me encontram no corredor e perguntam disso. Estou almoçando com alguém e falo disso. Durante a aula todos falam de outra coisa e eu cito exemplos disso. Antes de dormir estou refletindo sobre isso. Acordo no meio da madrugada e faço anotações sobre isso. Minha alergia ataca e eu logo suponho: deve ser por causa disso. As pessoas preocupadas me perguntam: nossa, o que é isso; e eu respondo: nossa, é por causa disso.

E isso tem me incomodado muito. Isso me faz duvidar do bom senso que eu sempre atribuí para humanidade. Isso me faz perguntar se é meu exagero ou isso é mesmo tão ruim como estou sentindo agora. E eu sinto que isso tomou conta de todos meus espaços. Isso se apossou propositadamente de tudo que me é mais querido e eu quero isso fora de mim, da minha vida e da minha casa o quanto antes.

Isso, por favor, crie vergonha na cara e desapareça daqui porque nada que eu já tivesse encontrado me deixou tão paranóica, tão monoassunto, tão cricri, tão mal-humorada, tão ressentida, tão impaciente, tão doente.

O pior é que esse espaço é meu, nem deveria estar pedindo isso. Não devia ter que inventar estratégias pra te deixar desconfortável e ir embora. Não devia ter que conversar sobre isso com mais ninguém. Não devia ficar alérgica. Não devia me atrasar pra aula porque preciso muito falar mais um pouco sobre isso, como se não bastasse o almoço, os corredores, as aulas e minhas horas de sono.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Não sei.

Olha minha cara.
Não sei se é
confusão ou certeza,
destino ou acaso,
sorte ou combinação
sono ou insônia.
Tão confusa eu, meu relógio biológico, meu coração que bate sozinho.

Faz tudo claro e eu me rendo.