sábado, 6 de novembro de 2010

24 de agosto de 2002

Sexta série. Aula de biologia. Nem frio nem calor. Blusa do uniforme, calça jeans e colar de pentagrama. Meus coleguinhas de sala nunca gostaram muito de mim, e a recíproca é totalmente verdadeira. Sentada na 3a fileira, 2a coluna mais perto da porta, na 2a sala do corredor. Quando um menino, que eu particularmente detestava, sorrateiramente pegou minha agenda debaixo da carteira. -Fico puta com essas coisas.- Toca o sinal do intervalo. Grupinhos se formam. Eu pego um livro da mochila. Brumas de Avalon, acho. Um giz acerta minha cabeça. (daí eu fui pro Sírio Libânes para fazer uma tomografia e tirei 24h de descanso - há - brinks) Intempestivamente me levanto. Veio do mesmo lado que o menino anteriormente citado. Ando até o grupo e estapeio a cara dele. Ele devolve o tapa. Eu chuto sua canela. Ele devolve o chute. Eu empurro ele. Ele devolve o empurrão. Nesse ponto a escola inteira já assistia a cena pela janela gritando hey-hey-hey, todas as carteiras ao redor já estavam esparramadas pelo chão, meu fichário do Harry Potter já estava sob os escombros de carteiras e o inspetor já estava na porta pra nos levar até a diretoria.

Foi legal. Foi quando eu entendi o tal conceito de bullying. Virou amigo meu, me acompanhou de perto até a formatura do colegial. O bullying e o menino com quem troquei tapas.
Naquele mesmo ano fiz uma lista das pessoas de quem eu deveria me vingar -provando mais uma vez meu temperamento escorpiano.

sábado, 30 de outubro de 2010

duas 'etnografias'

Sábado fui numa festa de 15 anos. Segunda fui numa festa de 4 anos.

A de sábado, na verdade, nem era um aniversário. O dono da festa aniversariou seus 15 anos em dezembro do ano passado. Mas vinha preparando essa comemoração talvez desde aquela época. Um desses jovenzinhos que, embora não mantenham a mensalidade do colégio em dia, acham de extrema importância demonstrar ostentação a seus coleguinhas, oferecendo bebidas sofisticadas preparadas por bartenders musculosos à menores e chamando-os para a pista de dança, onde se quebram copos e esfregam corpos ao som dessas coisas que se toca hoje em dia, Lady Gaga suponho. Enquanto a família, reunida em volta da mesa de frios, observa enquanto as meninas, vestidas de maneira muito semelhante (não pude deixar de notar que a maioria pegou uma saia curta e puxou-a pra cima dos peitos passou a intitulá-la vestido) sobre saltos bastante altos, circulam explorando a fauna masculina fingindo-se de excessivamente alcoolizadas. E vice-versa (sobre meninos correndo, literalmente, em busca da fauna feminina).
Muito peculiares, os jovens de hoje.

A festinha de segunda acontecia na escolinha. O aniversariante era meu irmão. 10 crianças de 2 a 4 anos comiam salgadinhos (digo, davam uma mordida e retornavam a massa mastigada à bandeja), bebiam refrigerante (digo, derrubavam-o sobre a toalha de mesa), conversavam entre si e faziam fila pra subir no tobogã. Estas interagem com muito mais facilidade entre si e com os desconhecidos (eu, no caso) do que os jovens citados anteriormente. As meninas brincavam de fazer penteado e diziam que estavam se preparando para um casamento. Apontavam uma menina para ser a noiva, e outro menino para ser o noivo. O noivo escolhido dizia que não poderia se casar, porque seria dentista. Outro menino dizia que seria médico e pegava um chinelo, que serviria de bisturi e começa a simular um corte na barriga de uma menina deitada, enquanto dizia que estava fazendo um parto muito complicado, pois o bebê estava muito fundo. O tal obstreta, anteriormente, havia experimentando um a um o sapato de todas outras crianças, espalhados pelo cimento. Após cantar parabéns e comer os docinhos (digo, remexerem com o garfinho plástico no pedaço de bolo e devorarem os brigadeiros), foram todos de volta pra sala de aula, onde se espalharam deitados no colchão e no tapete para descansar de tamanha diversão. Os familiares do aniversariante, como é de praxe permaneceu sentada em meia-lua comentando sobre o calor que os acometia. Menos meu pai que puxou papo com as crianças e recolheu o lixo do chão, minha irmã que se manteve num canto, e minha mãe que estava ocupada servindo as crianças e posteriormente, escorregando no tobogã.
ps: na hora do parabéns, digo, no 'com quem será' a professora que estava guiando a brincadeira perguntou "quem vai casar com o Gregório?" e um dos meninos prontamente levantou a mão dizendo "eu, eu, eu!" a professora retrucou "não, você não pode" e ninguém mais queria casar com o Gregório. "melhor, né mãe?" a professora ironizou sorrindo para minha mãe.
Muito peculiares, as crianças de hoje.
Os adultos também, afinal de contas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

You are

You are not possesed and you are not almost dead
This games that you play are all in your head.

You're not Vincent Price. You're Vincent Malloy.
You're not tormented or insane. You're just an young boy.

You're seven years old and you're my son.
I want you to get outside and have some real fun.


Um pouco de melancolia dramática não faz mal a ninguém.
Alguns copos de vinho e alguma abstração também não.

obs: assistam o curta, ele é mesmo bom.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O amor é gelo que derrete sem se ver.

É verdade.
O que era um congelador descongelado foi se enchendo de gelo e de gelo e de gelo e de mais camadas de gelo. Até que o vazio se encheu de gelo. Não feliz com a falta de espaço, pode-se tentar tirar a geladeira da tomada. Imaginando que sem energia isso pare de crescer. Mas o gelo derrete. E vai inundando a geladeira, e a cozinha. E quando se percebe tudo está gelado. Todo milimetro cúbico de epiderme está gelado e cada folículo epitelial, também conhecido como pêlo, está arrepiado.
É aí que você é dominada. Pelo gelo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Para tudo

Pra todo gole de alcóol que desce rasgando a garganta existe uma força que te faz espremer os olhos e engolir.
Pra toda pausa numa caminhada pra observar alguma coisa irreparável existe um pensamento capaz de te prender uns instantes.
Pra todo bom humor matinal existe uma xícara de café e uma vista bonita.
Pra toda falha existe arrependimento.
Pra toda tentativa existe um sorriso.
Pra toda sensação existe uma canção.
E pra toda canção existe um ouvinte.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Incenso, Melão e Poesia

Acendi um incenso de almíscar.
Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Peguei um pote na geladeira.
Peguei uma fatia de melão no pote.
Sentei na frente do computador,
comendo a fatia de melão.
Li uns versos.
A fatia acabou.
Só a casca melequenta na minha mão.

Só a casca melequenta na minha mão.
E a fumaça do incenso de almíscar.
E a vida esperando. Me esperando.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nulo, um caminho Nulo.

Marco zero. Linha reta. Neutralidade. Nulidade.
Terra firme. Uma ilha de terra firme. Vazia.
Quero pular. Mas não sei se devo.
Mares podem ser tormentosos, mas pelo menos não é essa calmaria.
Posso ficar aqui, esperando um maremoto.
Posso sair daqui, aproveitar a água limpa, ou suja.

Quero, não sei,
Posso, o que eu quiser.
Se quero, não sei.

Por mais que alguém posso me dizer que sou egoísta, neurótica depressiva, vingativa, possessiva e tempestiva, só eu posso escolher 'should i stay ou should i go'.
Merda.

ps: passional e orgulhosa também

sábado, 24 de julho de 2010

Sociedade

s.f. Reunião de homens, de animais, que vivem em grupos organizados; corpo social / Conjunto de membros de uma coletividade, sujeitos às mesmas leis./ União de pessoas que acatam um estatuto ou regulamento comum: sociedade cultural./ Grêmio, associação./ Parceria.
loc. adv. Em sociedadde, juntamente, em comum, em companhia, de parceria.
Fonte: algum dicionário furreba que só existe em versão virtual

Relações de troca. Dar para receber. Amar para ser amado. Chutar para ser chutado. E acima de tudo: respeitar para ser respeitado.

A família é a primeira sociedade. Então não me venha gritando, chutando, berrando, descontando seus assuntos mal resolvidos em nós. Porque ninguém é obrigado a ser tratado desse jeito. Já te disse antes. Tem problemas? A gente ajuda a resolver. Não crie mais problemas. Bobinha.
Entendeu?
Mereça o que te oferecem.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Bambi

aos desavisados que podem achar que o título é uma referência metafórica a qualquer outra coisa, desde torcedores do São Paulo até homossexuais do sexo masculino, o título refere-se ao filme da disney mesmo.


Há um tempo começamos a acostumar meu irmão a assistir filmes. Começamos com desenhos daqueles de 15 minutos, e a certo ponto, em meados desse semestre ele estava assistindo Bambi. Eu nunca gostei de Bambi, porque Bambi é o filme mais triste que a disney já produziu em todos os tempos. Acontecem várias desgraças, tragédias e um monte de coisa boba e injustificada. Lógico que quando eu era criança essas não eram minhas razões para não gostar, eu não gostava porque tinha um certo bloqueio a animais falantes.

Estava agora a pouco assistindo pela (no mínimo) milésima vez o tal desenho. Meu irmão adora. Pede pra ver todos os dias. Quando sugerimos outro ele abre o berreiro. Quando queremos assistir outra coisa ele abre o berreiro. Ele fala que é o Bambi. Ele imita o Bambi pulando. Meio doentio até. (deve ter puxado da minha irmã essa obsessividade exagerada)

Ele já decorou o desenho e faz comentários durante o filme.
Um dia ele me perguntou se eu sabia o que tinha acontecido com a mãe do Bambi. Eu queria saber o que ele achava que tinha acontecido. Ele me respondeu que os caçadores a haviam matado, levado para casa, fritado e comido.

Ele também já perguntou:
Por que o Bambi e o outro veado macho brigam e ninguém contou que é por causa da fêmea.
Por que o Flor ficou vermelho quando a outra gambá o beijou e a resposta foi 'ele ficou com vergonha'
Se quando os cachorros o morderam, ele se machucou e a resposta foi 'não não, só um pouquinho'

E também já exclamou 'FOGO' para o qual recebeu uma longa explicação de que era só um pouquinho, que não aconteceu nada de mais, que todos animais conseguiram se salvar e que depois ficou tudo bem.

Que eu saiba nada do que acontece em Bambi é o tipo de coisa que se coloque numa historinha infantil. Mas já que fizeram esse filme horrível, trágico, mentiroso (porque o Tambor é mais velho que o Bambi e fica adulto ao mesmo tempo), boboca, vagaroso e feio; e já que decidiram mostrar pro meu irmão; que pelo menos contem a verdade.

Coisa ridícula.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

In/Out

aquelas pessoas que devem ser legais mas não conseguem ser legais porque se acham a última bolacha do pacote, quando na verdade são a última bolacha que você come enquanto resmunga 'não aguento mais comer bolacha' com um gosto insuportável de doce artificial na boca.


'cause i'm so sick. so sick of it all.